
Além da sensação do “dever cumprido”, qual o resultado prático de nossos inúmeros protestos virtuais, incontáveis “thumbs up”, inesgotáveis “likes this”, denúncias com estatísticas irrefutáveis acerca de desvio de verbas públicas, maltrato de animais, desmatamento criminoso, abuso de poder econômico por parte desta ou aquela empresa inescrupulosa, entre tantas outras injustiças que nos assombram? Temo que os alvos desses protestos prestem pouca atenção a nossas inquietações, até porque a grande maioria pertença a uma faixa etária que pouco utiliza a internet ou mesmo o computador como ferramenta de trabalho. Ou seja, enquanto nós ficamos aqui (ou ai) com a bunda colada na cadeira acolchoada, protestando no mundo virtual, milhões de dólares continuam sendo desviados, animais e florestas continuam sendo agredidos e devastadas, os conluios econômicos continuam se beneficiando no mundo real. A quem interessa essa verdadeira sensação de cidadania, mas de escasso alcance prático? Que a internet, o Facebook, sejam nossos meios de trocar informações muitas vezes filtradas pela grande mídia, mas jamais substituam as marchas do povo pelas ruas e praças, os panelaços, as aglomerações, as vigílias, os gritos de ordem, a renovação e cobrança pelo voto livre e consciente. Lembre-se: O dinheiro desviado da merenda das escolas, da melhoria de estradas é real, não é aquele utilizado nos joguinhos do Facebook.
Foto: Businessman Writing Email (freedigitalphotos.net)







