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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Advérbios Gaudérios de Lugar

Aqui, quando o enrosco é bem perto.

Ali, quando o treco é mais ou menos perto.

Lá, quando o assunto toma corpo meio longe.

Lãã (sem esticar o beiço), quando o barulho é a mais de meia légua de distância.

Lãããã (esticando o beiço), quando o furdunço passa das sete léguas.

Lãããããã (esticando o beiço e dando de braço ao ar), nesse lugar nem Judas (depois de perder as botas) nem o diabo chegaram ainda.


Foto by fotosearch.com.br

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Protestos Virtuais Vs Vida Real


Além da sensação do “dever cumprido”, qual o resultado prático de nossos inúmeros protestos virtuais, incontáveis “thumbs up”, inesgotáveis “likes this”, denúncias com estatísticas irrefutáveis acerca de desvio de verbas públicas, maltrato de animais, desmatamento criminoso, abuso de poder econômico por parte desta ou aquela empresa inescrupulosa, entre tantas outras injustiças que nos assombram? Temo que os alvos desses protestos prestem pouca atenção a nossas inquietações, até porque a grande maioria pertença a uma faixa etária que pouco utiliza a internet ou mesmo o computador como ferramenta de trabalho. Ou seja, enquanto nós ficamos aqui (ou ai) com a bunda colada na cadeira acolchoada, protestando no mundo virtual, milhões de dólares continuam sendo desviados, animais e florestas continuam sendo agredidos e devastadas, os conluios econômicos continuam se beneficiando no mundo real. A quem interessa essa verdadeira sensação de cidadania, mas de escasso alcance prático? Que a internet, o Facebook, sejam nossos meios de trocar informações muitas vezes filtradas pela grande mídia, mas jamais substituam as marchas do povo pelas ruas e praças, os panelaços, as aglomerações, as vigílias, os gritos de ordem, a renovação e cobrança pelo voto livre e consciente. Lembre-se: O dinheiro desviado da merenda das escolas, da melhoria de estradas é real, não é aquele utilizado nos joguinhos do Facebook.

Foto: Businessman Writing Email (freedigitalphotos.net)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Lição das Maratonas

Gabriela Andersen-Schiess (Suíça/EUA) passou para a história ao completar a primeira maratona olímpica para mulheres em 1984 (Los Angeles - EUA). Gabriela não venceu, mas demonstrou ao mundo essa inquebrantável teimosia do ser humano em superar seus próprios limites. Nos jogos Pan Americanos de 2011 em Guadalajara, coube ao brasileiro Solonei Rocha demonstrar que, não obstante as adversidades, vencer, seja lá o real significado do termo, depende quase que exclusivamente de nós mesmos. O recorte 'scanneado' é do Jornal do Comércio de Porto Alegre, 31/10/11, página 33. Clicar na imagem para ampliá-la.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

As Empresas “Menos Verdes” dos EUA


A Revista Newsweek divulgou em 24/Out a edição 2011 do ranking das empresas mais verdes do mundo. Como em todo ranking, existe as mais e as menos. Financiamento de práticas pouco sustentáveis (próprias ou de outras empresas, no caso dos bancos), falta de transparência com relação a suas atividades que contribuem para a pegada ecológica, e ações pouco eficazes para mitigar essa pegada, fizeram com que grandes companhias figurassem entre as 20 empresas de capital aberto que menos se comprometeram com questões verdes nos EUA.

A empresa com pior colocação é a T. Rowe Price Group (área financeira) que obteve apenas 19,9 pontos no Newsweek “Green Score” (de valor máximo 100,0 – ver ‘post’ de 27/Out). Das grandes empresas conhecidas por aqui, aparecem ainda a Monsanto (agronegócio, 3ª pior colocação, 22,8 pontos); Bunge (agronegócio / alimentos, 8ª pior colocação do ranking, 27,0 pontos); e AES (energia, 17ª pior posição, 30,6 pontos). A matéria completa pode ser encontrada em www.newsweek.com/green.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

As Empresas “Mais Verdes” do Mundo


Ainda no tema "ranking" ...


Apesar da inércia das autoridades governamentais de diversos países, algumas empresas de capital aberto ainda respondem ao desafio verde.

A Revista Newsweek divulgou em 24/Out a edição 2011 do ranking das empresas mais verdes do mundo. O ranking atribui uma nota, o “Green Score” (de valor máximo 100), que representa o desempenho ambiental geral da empresa avaliada. Em termos gerais o “Green Score” contempla três critérios em seu cálculo: 1) Pegada ecológica, o impacto causado globalmente, baseado em 750 medidas e indicadores; 2) Política de gestão, o quão bem a empresa gerencia sua pegada ecológica; e 3) Transparência, a qualidade com a qual a empresa informa sua política de gestão e sua pegada ecológica. Os pesos relativos para os três critérios são 45%, 45% e 10%, respectivamente. O levantamento foi realizado em conjunto com Trucost, Sustainalytics e ASAP Media. A lista classifica as empresas de acordo com os setores de atuação como TI, telecomunicações, saúde, financeiro / bancário, varejo, comunicação e publicidade, automobilístico e de componentes, e bens duráveis.

Lideram o ranking das 500 empresas mais verdes do mundo: Munich RE (83.6, financeiro / bancário, Alemanha); IBM (82.5, TI, EUA); National Australia Bank (82.2, financeiro / bancário, Austrália); BRADESCO (82.2, financeiro / bancário, Brasil); e ANZ Banking Group (80.9, financeiro / bancário, Austrália). O semanário destaca que o BRADESCOreciclou mais de 1,9 milhão de toneladas de papel, e que o Débito Direto Autorizado permitiu à empresa economizar 15 milhões de boletos em 2010.

Outras empresas brasileiras que se destacam entre as 100 primeiras e seus respectivos “Green Score” e posição no ranking são: Santander (17º lugar, 75.3 pontos); Banco do Brasil (50º lugar, 71.0 pontos); e Itaú (54º lugar, 70.6 pontos). Todos os destaques nacionais são do setor financeiro / bancário. Mas esta não é uma característica exclusiva do Brasil. O levantamento aponta para a falta de políticas claras e eficazes para mitigar a pegada ecológica nos setores notoriamente “poluidores” e / ou exploradores dos recursos naturais e também nas tradicionais indústrias de transformação em geral. Dentre as empresas que produzem algum bem tangível, a melhor posicionada é a holandesa Philips (bens duráveis), que com o total de 77.2 pontos ocupa o 9º lugar do ranking mundial.

Avaliadas dentro de seus próprios setores, a Eletrobras ocupa o 3º lugar no setor de geração de energia, totalizando 59.0 pontos e ocupando o 214º lugar no ranking geral.

Para saber mais sobre o assunto ou para ler a matéria completa: newsweek.com/green

Imagem: Logo "Newsweek 2011 Green Ranking" - Non authorized copy / download.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ranking Para Nenhum “Bairrista” Se Orgulhar



O IBGE divulgou recentemente o “Atlas de Saneamento 2011”, estudo que aponta a situação da coleta e tratamento de esgoto doméstico nos municípios e unidades da federação no Brasil. Apesar de ocupar o 4º lugar no ranking de participação no PIB do país, o Rio Grande do Sul é o 10º colocado quando o assunto é coleta e tratamento de esgoto doméstico. Os dados revelam que apenas 41% dos municípios gaúchos coletam o esgoto, enquanto a média nacional é de 55%. Se considerarmos coleta e tratamento, esse número atinge pífios 15% dos municípios no RS, percentual muito inferior aos 100% do Distrito Federal, ou aos 78% do Estado de São Paulo.

A relação entre saneamento básico e saúde é diretamente proporcional. As unidades da federação que apresentam os maiores índices de internações por doenças relacionadas ao sistema de saneamento básico inadequado como diarreias, dengue, leptospirose, entre outras, são as que também apresentam os menores índices de coleta e tratamento de esgoto doméstico.

Sob o aspecto ambiental, a falta de tratamento adequado do esgoto doméstico é também devastador. Em Outubro de 2006 presenciamos a maior mortandade de peixes jamais vista no Rio dos Sinos. Dentre as principais causas apontadas, aliada a condições naturais desfavoráveis, estava o despejo de esgoto doméstico não tratado nas águas dos rios dessa bacia.

Muito está sendo discutido em torno da municipalização dos serviços de saneamento básico no RS. Cidades do interior gaúcho travam guerras jurídicas e políticas para quebrar a exclusividade histórica da CORSAN nesse campo, alegando que as prefeituras podem fazer em poucos anos o que a empresa estatal estadual não fez em décadas de operação. Enquanto isso em Porto Alegre, a auto-intitulada “Capital do Mercosul” (lembram do Mercosul?), o Arroio Dilúvio percorre boa parte da cidade recebendo diariamente milhares de metros cúbicos de esgoto sem tratamento - há décadas.

Pelo visto a velha máxima que diz que “esgoto não dá votos porque fica enterrado” não está tão desatualizada assim. Pouco se avançou no País nas últimas décadas. O PIB do Brasil aumentou, a renda da população em geral melhorou, mas as condições básicas de saneamento permanecem insuficientes e, não raro, vemos ainda no cenário urbano esgoto correndo a céu aberto, nos famosos valões, rumo aos rios e lagos, sem qualquer tipo de tratamento ou constrangimento por parte das autoridades públicas e população em geral.

Foto: Arroio Dilúvio, Porto Alegre, by Felipe Prestes, Jornal Já (www.jornalja.com.br), "O Arroio Dilúvio, O Ilustre Ignorado".