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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ranking Para Nenhum “Bairrista” Se Orgulhar



O IBGE divulgou recentemente o “Atlas de Saneamento 2011”, estudo que aponta a situação da coleta e tratamento de esgoto doméstico nos municípios e unidades da federação no Brasil. Apesar de ocupar o 4º lugar no ranking de participação no PIB do país, o Rio Grande do Sul é o 10º colocado quando o assunto é coleta e tratamento de esgoto doméstico. Os dados revelam que apenas 41% dos municípios gaúchos coletam o esgoto, enquanto a média nacional é de 55%. Se considerarmos coleta e tratamento, esse número atinge pífios 15% dos municípios no RS, percentual muito inferior aos 100% do Distrito Federal, ou aos 78% do Estado de São Paulo.

A relação entre saneamento básico e saúde é diretamente proporcional. As unidades da federação que apresentam os maiores índices de internações por doenças relacionadas ao sistema de saneamento básico inadequado como diarreias, dengue, leptospirose, entre outras, são as que também apresentam os menores índices de coleta e tratamento de esgoto doméstico.

Sob o aspecto ambiental, a falta de tratamento adequado do esgoto doméstico é também devastador. Em Outubro de 2006 presenciamos a maior mortandade de peixes jamais vista no Rio dos Sinos. Dentre as principais causas apontadas, aliada a condições naturais desfavoráveis, estava o despejo de esgoto doméstico não tratado nas águas dos rios dessa bacia.

Muito está sendo discutido em torno da municipalização dos serviços de saneamento básico no RS. Cidades do interior gaúcho travam guerras jurídicas e políticas para quebrar a exclusividade histórica da CORSAN nesse campo, alegando que as prefeituras podem fazer em poucos anos o que a empresa estatal estadual não fez em décadas de operação. Enquanto isso em Porto Alegre, a auto-intitulada “Capital do Mercosul” (lembram do Mercosul?), o Arroio Dilúvio percorre boa parte da cidade recebendo diariamente milhares de metros cúbicos de esgoto sem tratamento - há décadas.

Pelo visto a velha máxima que diz que “esgoto não dá votos porque fica enterrado” não está tão desatualizada assim. Pouco se avançou no País nas últimas décadas. O PIB do Brasil aumentou, a renda da população em geral melhorou, mas as condições básicas de saneamento permanecem insuficientes e, não raro, vemos ainda no cenário urbano esgoto correndo a céu aberto, nos famosos valões, rumo aos rios e lagos, sem qualquer tipo de tratamento ou constrangimento por parte das autoridades públicas e população em geral.

Foto: Arroio Dilúvio, Porto Alegre, by Felipe Prestes, Jornal Já (www.jornalja.com.br), "O Arroio Dilúvio, O Ilustre Ignorado".

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